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O nome violão Brahms é derivado de meu arranjo das “Variações Sobre um Tema Original, Op. 21A para Piano”, de Brahms, que eu tinha transcrito inicialmente para violão de seis cordas. Naquela época, eu senti que a transcrição tinha sido uma espécie de avanço em minhas contínuas tentativas de desenvolver um novo repertório para esse instrumento, a ponto de pensar que devia publicá-lo. No entanto, ainda me deparei com dois problemas significativos. Primeiramente, eu me preocupava com uma certa imperfeição no baixo; o outro problema estava no fato de minha mão esquerda ficar esticada no seu limite durante grande parte da peça.
Eu percebi que a questão do aumento da região grave do violão não era nova. Ainda no século 19, os violonistas já tocavam e escreviam para violões multi-cordas, que traziam cordas graves extras, esticadas abaixo das seis tradicionais. Realmente, através do século 20, diversos números de cordas têm sido adicionados para aumentar a região grave. No entanto, uma corda extra afinada em Lá grave (uma quinta da corda Mi grave), ainda flexível o bastante para segurar a afinação para um Dó grave, seria, eu sentia, suficiente para dar o sentido de “totalidade” no baixo que eu estava procurando.
Durante uma discussão, um amigo muito próximo – o italiano Stéfano Grondona – sugeriu-me que, para aumentar a extensão disponível dentro de uma posição (e assim também reduzir o estiramento), uma oitava corda poderia ser colocada acima da corda Mi aguda, afinada uma quarta abaixo, para um Lá agudo. Isto poderia, por sua vez, equilibrar o instrumento, já que as cordas adicionais cercariam efetivamente as (inalteradas) seis cordas tradicionais.
Com um violão de oito cordas como este, eu sabia que um repertório considerável se tornaria disponível para mim (além de permitir que eu trabalhasse em uma versão mais completa e confortável da transcrição de Brahms). A música para alaúde, da Renascença ao final do Barroco, poderia caber mais facilmente nos dedos, usando a tessitura original completa e, em quase todos os casos, na afinação original. De fato, seria possível ler a música para alaúde da Renascença direto da tablatura de alaúde. Mesmo as obras originais para violão de seis cordas seriam inevitavelmente beneficiadas pela corda aguda extra (e ocasionalmente a corda extra também) por facilitar os dedilhados, permitindo um maior controle do som, e às vezes até mesmo completando a extensão que tinha sido ultrapassada pelo compositor não-violonista.
As transcrições tomaram naturalmente o comando do modelo Brahms, e a perspectiva de desenvolver um repertório original para o instrumento tornou-se bastante excitante. Pareceu a mim que o instrumento seria capaz de cobrir inteiramente o repertório existente para violão, e muito mais. O grande problema era encontrar alguém que pudesse transformar uma idéia em realidade – a realidade de um violão de oito cordas que ainda soasse tão rico e arrebatador como o violão clássico que tantos músicos e platéias vieram a conhecer e amar.
Comecei e terminei minha busca pelo topo. Parecia demais esperar que o renomado luthier inglês David Rubio aceitasse tal projeto, mas desde a primeira menção à idéia ele foi maravilhosamente entusiástico. Adicionar uma oitava extra à extensão de um instrumento já perfeitamente equilibrado, sem sacrificar a qualidade tonal, estabeleceu um desafio difícil, mas de um valor indubitável.
A inspirada solução de Rubio para o problema de projetar o instrumento baseou-se no modelo renascentista do “Orphereon”. O Orphereon foi único como instrumento de cordas trastejado, por dar uma extensão mais escalonada do que uniforme às cordas. Isso foi conseguido usando-se uma ponte inclinada e uma pestana, abrindo-se no sentido do grave, com os trastes se abrindo em círculo sobre a completa extensão do braço. Embora o instrumento tenha tido uma vida curta, em grande parte devido às desconfortáveis cordas de metal, pareceu a Rubio que o revolucionário sistema de encordoamento valia ser ressuscitado para esse moderno violão clássico.
O protótipo de Rubio provou ser um estrondoso sucesso. As duas cordas externas soaram como cordas normais de violão e se integraram lindamente com as seis do meio. O instrumento todo soou, incrivelmente, cheio e rico em sua inteira extensão. Ademais, pareceu muito natural tocá-lo, graças a alguns finos ajustes na largura entre as cordas (e na largura total do braço). Também achei que a aparência e ergonomia do violão de Rubio eram totalmente integrados e de algum modo “classicamente” atemporais.
Como violonista, eu sinto que agora sou capaz de recomeçar com todo um novo mundo de possibilidades, tornadas disponíveis para mim graças a David Rubio e ao desenvolvimento do violão Brahms.
Paul Galbraith – Edimburgo, Julho de 1996 |